terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Bom Pastor planeja ações

            Liberdade, flexibilidade, união, abertura, inserção política, perfil ecumênico e simplicidade. Essas são as principais características que os comungantes identificaram na Paróquia do Bom Pastor, em Salvador (Ba). O jeito de ser da comunidade foi debatido durante a primeira Assembleia Geral do ano, no último dia 22 de janeiro.
            O encontro começou depois da celebração, sendo coordenado pelo pároco Bruno Teles de Almeida. Para tratar melhor dos assuntos e resolver pendências do dia-a-dia da paróquia, os participantes se dividiram em cinco grupos e começaram a conversar sobre a identidade da comunidade, além de sugerirem ações inovadoras para 2012.
            Após a discussão nas equipes, a Assembleia foi retomada e cada grupo teve a chance de compartilhar as sugestões. De acordo com as ideias apresentadas em cada equipe, a paróquia decidiu implantar as mudanças na medida do possível. A comunidade discutiu sobre a formação de um núcleo teatral, incremento do perfil no facebook, confecção de folders, criação de parceria com rádio comunitária do bairro, transmissão online das celebrações, postagens de vídeos no blog, mudança no horário da missa, reativação do livro de visitantes e surgimento de novas pastorais.
            “Tudo isso é importante, todas as sugestões são indispensáveis para alavancar, são coisas que se completam”, afirmou o reverendo Josafá Batista dos Santos. Já a estudante Gleyka Teles de Almeida declarou se identificar com a pastoral litúrgica e acrescenta, “a pastoral da gastronomia deveria se tornar oficial porque ela diferencia a gente das outras comunidades e nos aproxima, dando a oportunidade de conhecer as pessoas fora do horário da celebração”. 

Por Osvaldo Junior. Drt Ba nº 3612

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Entrevista com Frei Betto (Parte VI)

 Há dois anos, o senhor relançou “Um Homem Chamado Jesus”, no qual apresenta ao leitor um Jesus mais humanizado. É uma tentativa de aproximar as pessoas deste homem?
         
            “É. Ele foi escrito porque muitas pessoas me diziam que tinham dificuldade de entender o texto dos evangelhos e não tinham tempo nem cabeça de fazer um curso bíblico. O livro [serve] para ajudar a compreender melhor o contexto dos evangelhos, por exemplo: muita gente passa a vida inteira conhecendo a palavra fariseus e não sabe o que eles foram de verdade. Ou não entendem bem porque Pilatos subiu a Jerusalém, que era simplesmente porque o governador morava no litoral. Então escrevi em forma de romance, e o leitor pode conhecer a história sem precisar ir direto aos referenciais teóricos. Levei seis anos para fazer isso, porque fui até Israel e à Palestina, pesquisei toda a bibliografia sobre a região no século I, coloquei em ordem cronológica e complementei com imaginação e lógica os detalhes que os evangelhos não fornecem. Por exemplo, nas Bodas de Caná, as fontes consultadas afirmam que houve dança, mas nenhuma especifica se Jesus dançou ou não. Ora, sendo ele um jovem solteiro por volta dos 29 anos, não havia razão para que ele não dançasse. Foi esse o trabalho que fiz em “Um Homem Chamado Jesus”.   
           
Na próxima semana postaremos a última parte da entrevista com Frei Betto concedida para a repórter Mariana Paiva (mariana.paiva@grupoatarde.com.br).
Foto:

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Entrevista com Frei Betto (Parte V)


Mariana Paiva: O senhor nunca se refere à necessidade de religião, mas de espiritualidade. Como o senhor pensa a questão da tolerância religiosa, uma vez que assistimos a tantas manifestações de intolerância no Brasil e no mundo?

            Frei Beto: Deus não tem religião. Não tem sentido ficar brigando e afirmando que minha religião é melhor que a sua, que a sua é do demônio. Isso não é coisa de Deus, é de arrogância humana. Temos que respeitar as formas diferentes de fé, inclusive quem não tem fé. As religiões que aparecem devem ser todas bem-vindas, desde que suscitem as pessoas a fazerem o bem, a amar, a sair de si, essas são as questões mais importantes. Nosso dever é amar as pessoas, não por professarem a mesma fé que tenho ou desejo ter. Esse desprendimento é nítido em Jesus, que, contrariando os apóstolos, fez curas na mulher cananeia, que não professava a mesma fé que ele. A mesma coisa ele fez quando curou o servo do centurião romano. Jesus tinha uma abertura de coração enorme que a gente ainda não aprendeu.   
            Leia o texto completo na edição número 194, da Revista Muito, dia 18 de dezembro de 2011, sessão Abre Aspas, página 8.

A foto acima foi extraída do link:

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Entrevista com Frei Betto (Parte IV)


   Continuamos a apresentar partes de uma entrevista com Frei Beto. Na próxima semana, o teólogo vai explicar porque Cristo é um exemplo de tolerância religiosa.

       Que relação o senhor acredita haver entre os progressos científicos e a fé? Os avanços tecnológicos afastam o indivíduo de sua espiritualidade?
jorgebichuetti.blogspot.comjorgebichuetti.blogspot.com

       “Acho que a ciência é uma bênção de Deus, porque ele nos dotou de inteligência para entendermos melhor o primeiro livro que ele escreveu: a natureza. O fato de ser rápido é uma vitória da inteligência humana, a ciência procura desvendar como o universo surgiu. Enquanto isso, a fé procura o porquê. São dimensões autônomas que devem dialogar entre si, sem uma procurar absorver a outra. O próprio amor é um ato de fé, e daí vem fidelidade e confiança. Assim, ninguém é totalmente sem fé, nem mesmo quem se define como ateu.”
Foto: http://jorgebichuetti.blogspot.com/2011/01/frei-beto-um-heroi-na-luta-pela-justica.html.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Entrevista com Frei Betto (Parte III)

E as pessoas têm sentido falta de algo em que acreditar?

         Vejo que há muita inquietude espiritual. Vou te dar o exemplo mais radical, que é o consumo de drogas. Todo viciado é um místico em potencial. Por ter descoberto que a felicidade está dentro de si, e não fora, ele busca ansiosamente essa felicidade subjetiva. O detalhe é que ele ingressa pela porta errada, a do absurdo, quando seria muito feliz se entrasse pela do absoluto. O crescimento do consumo é a maior prova de que as pessoas estão procurando desesperadamente a espiritualidade, mas ainda carecem de orientação, porque ainda não descobriram o caminho correto, mas querem transcender, fazer uma experiência de êxtase. A vida mística faz isso.”

         A entrevista completa pode ser lida na Revista Muito, número 194, edição de 18/12/11. Na próxima semana, Frei Beto conversa com a repórter Mariana Paiva (mariana.paiva@grupoatarde.com.br) sobre ciência e fé. Não perca.

Foto: http://revistacult.uol.com.br/home/2011/11/entre-ensaios-e-ficcoes/