segunda-feira, 25 de maio de 2015

RELIGIOUS FREEDOM (?)

https://luizgustavo19.wordpress.com/2012/01/16/frase-de-martin-luther-king/

     Recentemente, o Estado de Indiana (EUA) aprovou uma lei que concede aos donos de estabelecimentos comerciais, a liberdade para se recusarem a atender pessoas homoafetivas, a partir de uma justificativa baseada em princípios religiosos. É inacreditável que uma norma como essa tenha sido aprovada na América de Abraham Lincoln, político anglicano que lutou pela abolição da escravatura, e de Martin Luther King, pastor Batista que brigou pelos direitos civis de negros e pelo fim do apartheid - o qual proibia os negros de frequentarem lugares reservados aos brancos.
     Essa regra significa um retrocesso para a América, uma vez que legitima um tipo de segregação - a de gênero - fundamentada num argumento religioso. Além disso, ela é um contrassenso porque a reivindicação da lei vem disfarçada de Cristianismo, autorizando tamanha barbaridade. 
     Cristo tocou nos leprosos que eram expulsos das cidades, perdoou adúlteras para a qual a lei destinava morte por apedrejamento (separação total do convívio social) e disse explicitamente, “tudo que desejais que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles. Essa é a lei e os profetas” (Mt 7:12). “Se amais somente os que vos amam que recompensa tereis? Não fazem isso também os publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isso também os pagãos” (Mt 5: 46-47).
     No início da Era Comum (depois de Cristo) eram os cristãos a serem excluídos dos ambientes sociais pelo Império Romano, inclusive sendo martirizados. Agora, somos nós que nos damos o direito de rejeitar. Conseguimos fazer da liberdade de adoração alcançada no Império Romano em 313 D.C. - com o Edito de Milão - um respaldo para a perseguição a outras liberdades! Passamos do direito da veneração ao direito à discriminação!
     Se é para ser assim, não precisamos ter liberdade de culto algum, porque isso não passará de um desserviço à sociedade. É melhor voltarmos à Igreja das Catacumbas!

Adriano Portela é professor e teólogo.