quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Entrevista com Judith Butler (parte 1)

Judite Butler; Wikimedia Commons

Como o feminismo e a questão Israel-Palestina se correlacionam em seu trabalho?

- Muitas vezes meu trabalho se relaciona com movimentos sociais. Eu tento entender o que está acontecendo e então ofereço uma visão teórica sobre o fato. Às vezes, isto serve como ponto de referência para aqueles que buscam refletir sobre suas posições políticas e sociais. 
Talvez nós devamos adicionar o movimento queer a esta lista, assim como a minha filiação nas políticas anti-guerra. Para mim, a questão é por que é tão difícil para as pessoas viverem juntas em igualdade? O que é esta resistência à igualdade em si?
Claro, uma resposta é que os dominantes procuram manter essa posição, mas, ainda assim, é possível se perguntar: por que não é mais desejado viver em termos de igualdade uns com os outros? Por que algumas vidas são consideradas importantes e outras não?
O problema de como atingir a igualdade surge para mim de diferentes formas. Quem é passível de luto e quem não? Por que algumas vidas são valorizadas pela sociedade e outras não? Uma radical desigualdade ainda caracteriza as relações entre homens e mulheres e entre Israel e Palestina, e, apesar de não se tratar de uma analogia estrita, ainda podemos perguntar porque a igualdade é tão difícil de ser atingida. E como começar a entender a aversão à igualdade?

Entrevista concedida para o colaborador José Antonio Lima. Disponível na Carta Capital, edição nº 978 de 15/11/17.