sexta-feira, 20 de abril de 2012

Professor discute secularização e modernidade – Parte Final


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        Estamos encerrando a apresentação de trechos da entrevista com o sociólogo da religião, o espanhol José Casanova. A entrevista foi concedida para o repórter Rodrigo Cardoso e está publicada na edição de número 2.210 da revista Isto É, do dia 21 de março de 2012.
         O que é ser ateu no mundo globalizado?
         "Há uma anedota na Irlanda do Norte que diz que um cidadão, ao atravessar a zona protestante em direção à católica, é abordado: “Mãos para cima. Você é protestante ou católico?” O cidadão respondeu: “Sou ateu”. A indagação seguinte foi: “Mas qual tipo de ateu: protestante ou católico?” É o contexto que define o que significa ser ateu. Na Europa, ser ateu é normal para um jovem, que não precisa fazer nada para se encontrar nessa situação, não precisa dialogar, refletir. É algo natural, espontâneo. Por outro lado, para ser religioso ele tem de fazer algo. Na América é o contrário. Ser ateu exige uma coragem enorme, ser contra a sociedade. É estar continuamente lutando e defendendo a sua posição diante de todos. Uma pesquisa mostrou que nos Estados Unidos o cidadão afirma que votaria em qualquer religioso, até em um muçulmano, mas jamais em um ateu."

terça-feira, 10 de abril de 2012

Professor de sociologia discute secularização e modernidade – Parte 3

            Continuamos a apresentar trechos de uma entrevista com o sociólogo da religião, o espanhol José Casanova. A entrevista foi concedida para o repórter Rodrigo Cardoso e está publicada na edição de número 2.210 da revista Isto É, do dia 21 de março de 2012.
             Para estar antenado à modernidade é preciso ser secular?
Extraída de Google Imagens
            Na Europa se pensava que a secularidade era um estágio superior à religião. Abandonar uma religião era simplesmente uma condição natural humana. Então, lá, ser secular é considerado algo natural, e ter religião é tido como artificial. Historicamente, o homem amadurecia tornava-se mais sábio, mais livre e via a religião como algo desnecessário. Essa ideia muito europeia nunca pegou nos Estados Unidos. Os americanos relacionaram sua experiência de modernidade ao renascimento religioso. A religião aparece como uma afirmação da identidade americana sobre o colonialismo do Ocidente. Lá, estamos condenados a ser livres, mas também a renascer religiosamente.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Professor de sociologia discute religião, secularização e modernidade – Parte 2

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            Continuamos a apresentar trechos de uma entrevista com o sociólogo da religião, o espanhol José Casanova. A entrevista foi concedida para o repórter Rodrigo Cardoso e está publicada na edição de número 2.210 da revista Isto É, do dia 21 de março de 2012.
            O sr. considera que as religiões ainda intervêm na esfera pública? O que elas ainda têm a dizer para as sociedades?
            O Estado europeu moderno nasceu em meio às guerras religiosas. A primeira medida foi tornar o Estado religioso e forçar todos a ter uma única crença para evitar a guerra civil. Aqueles que não queriam seguir a religião nacional deviam partir. Quando chegou a democracia, a religião saiu de cena do âmbito estatal, acompanhada da ideia da necessidade de a fé ser privada, para que a sociedade não se polarizasse. Nos Estados Unidos, há um outro tipo de privatização da religião, pois o Estado não reconhece oficialmente uma única crença e dá liberdade para que os cidadãos formem a denominação que quiserem. A religião é a mais política das instituições americanas, é o centro da vida política naquele país. Todos os movimentos sociais envolvendo a escravidão, o feminismo ou o aborto foram encabeçados pela religião.”